
Em um discurso inflamado nos jardins da Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou nesta quarta-feira (2) a imposição de novas tarifas comerciais sobre importações de dezenas de países. O evento foi batizado por ele de “Liberation Day” — o Dia da Libertação — e marca, segundo o próprio, “a independência econômica definitiva da América”.
“Hoje é o dia em que os Estados Unidos deixam de subsidiar a prosperidade de outras nações para investir novamente em sua própria indústria”, declarou Trump, aplaudido por apoiadores e operários levados ao evento como símbolo de sua agenda industrialista.
As novas tarifas
O plano tarifário inclui:
- Tarifa mínima universal de 10% sobre todas as importações.
- Tarifas recíprocas personalizadas com base na política tarifária de cada país:
- China: 34%
- Vietnã: 46%
- União Europeia: 20%
- Índia: 26%
- Japão: 24%
- Taiwan: 32%
- Brasil: 10%, em um movimento considerado “moderado”.
- Tarifa específica de 25% para veículos e autopeças fabricados no exterior.
Essas medidas entrarão em vigor em duas etapas: a tarifa de 25% sobre o setor automotivo entra em vigor à meia-noite de quinta-feira (3), enquanto o pacote de tarifas recíprocas começa a valer no dia 9 de abril.
Por que agora?
O anúncio vem em um momento estratégico para o governo Trump, às vésperas de novos embates eleitorais e diante de uma economia americana que ainda enfrenta pressões inflacionárias e desafios industriais no pós-pandemia.
Segundo o presidente, o objetivo é reduzir o déficit comercial — que ele classificou como “recorde e vergonhoso” — e fomentar a reindustrialização nacional.
Análise de especialista
Para Flávio Conde, head de renda variável na Levante Investimentos, a decisão surpreendeu positivamente no caso brasileiro:
“Eu achei uma surpresa positiva. O Trump já havia imposto tarifas pesadas sobre o aço e alumínio do Brasil. Esses 10% foram muito abaixo do que se temia. Ele poderia ter sido mais duro”, disse.
A expectativa é que o Brasil não retalie de imediato, mas mantenha margem de negociação com base no Projeto de Lei da Reciprocidade Econômica, atualmente em tramitação no Congresso.
O que vem a seguir?
Com as tarifas oficialmente anunciadas, o mundo observa a reação dos principais parceiros comerciais dos EUA. A União Europeia já acenou com possíveis medidas retaliatórias. O Brasil, por ora, mantém cautela. A nova etapa do jogo geoeconômico global foi iniciada — e o “Liberation Day” de Trump pode ser só o primeiro capítulo.
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