
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, responsável por monitorar a qualidade da água, declarou ter aplicado 37 multas que somam mais de R$ 1 milhão nos últimos cinco anos. Poluição do Rio Tietê avança sobre interior de São Paulo e deixa toneladas de peixes mortos em cenário paradisíaco
Reprodução/TV Globo
O avanço da poluição transformou o cenário paradisíaco do Rio Tietê, no interior de São Paulo.
Os vídeos foram gravados perto da usina hidrelétrica de Buritama. Dezenas de arraias, que geralmente vivem submersas, aparecem na superfície. É um indício da falta de oxigênio no fundo do rio. Uma situação que tem se repetido com frequência em vários pontos do Tietê no interior de São Paulo
“Está feia a situação. Camarão morrendo, peixe morrendo… Os peixes pequenos estão morrendo tudo”, consta o pescador John Lennon Rodrigues Pereira.
O piscicultor Nelson Benedito Moreira também está acostumado a tirar o sustento dessas águas. Desde quarta-feira (19), já precisou descartar 12 toneladas de tilápia em plena quaresma, quando a procura pelo peixe aumenta e a venda é certa.
“Era um rio quase que intocável. Agora, chegou desse jeito e para quem produz peixe vai produzir peixe aonde?”, diz Nelson Benedito Moreira.
Os peixes começaram a morrer depois que a água ficou verde. Duas pisciculturas de Ubarana foram afetadas. Em uma, todos os peixes morreram. Juntos, os produtores perderam cerca de 35 toneladas de tilápia. Prejuízo estimado em mais de R$ 1 milhão. O biólogo Marcelo Oliveira explica que a multiplicação das algas deixou a água esverdeada. Uma consequência do esgoto e da poluição – que, agora, também atinge esse trecho do rio.
“Isso é um prejuízo enorme para o ecossistema. O excesso de nutrientes que ocasiona a proliferação em excesso das algas, das plantas aquáticas, e que tira toda a oxigenação do rio. Infelizmente, isso vai prejudicando a resiliência, ou seja, a capacidade do rio de retornar a um estado ambiental adequado para vida dos peixes”.
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo coletou amostras para analisar a água. A Cetesb declarou ter aplicado, nos últimos cinco anos, 80 penalidades contra infratores ambientais.
A prainha da cidade que, costumava ser cristalina e recebia 3 mil turistas por fim de semana, agora está imprópria para banhistas.
“A prainha vive do turista aqui e isso está afetando grandemente a economia do nosso município”, conta Eliezer Padovani, diretor de Meio Ambiente de Ubarana.
“Uma coisa bem feia né… Peixe morto, uma água bem verde, uma situação bem triste. A gente já vem entusiasmado para vim pescar, nadar com as crianças, com os filhos, e já chega e vê isso”, lamenta o pedreiro Ismael Rosa de Oliveira.
“Não merecia, a população daqui uma covardia, uma estupidez dessa”, diz o aposentado Ervio Ormenezi.