
Com o Ibovespa renovando suas máximas históricas em 2025, investidores voltam a avaliar quais setores podem se beneficiar de um eventual ciclo positivo na Bolsa brasileira. Para Tato Barros, da Fami Capital, é preciso observar a composição do índice e as dinâmicas macroeconômicas que estão em jogo.
Segundo ele, apesar da valorização recente, o Ibovespa ainda concentra seu desempenho em grandes empresas de commodities e bancos. Já o índice Small Caps permanece distante de seus picos, o que revela que parte relevante da Bolsa ainda não foi precificada com otimismo.
Setores cíclicos podem reagir com queda da Selic
Barros acredita que, caso o cenário doméstico permita uma queda consistente da taxa Selic, setores mais sensíveis aos juros — como varejo e consumo — podem voltar a ganhar tração. “Empresas que sofreram mais com juros altos podem agora ter espaço para recuperação, desde que estejam com boa estrutura financeira”, analisa.
Ele destaca que empresas menos alavancadas e com caixa saudável tendem a se sair melhor neste momento de transição. “É importante buscar ativos com fundamentos sólidos, mesmo em cenários de melhora. O risco segue presente e a seletividade é essencial.”
Balanços mostram esforço para reduzir dívidas
A recente temporada de balanços do 1º trimestre de 2025 confirmou esse movimento: muitas companhias estão realizando ajustes para enfrentar o cenário adverso. “As empresas fizeram a lição de casa. Vimos uma queda no endividamento e uma tentativa clara de se prepararem melhor para o próximo ciclo”, comenta.
Segundo Barros, companhias que anteciparam esse movimento já começam a apresentar resultados mais consistentes. Em contrapartida, aquelas que não conseguiram ajustar sua estrutura de capital acabaram penalizadas, principalmente pelo custo da dívida, e não necessariamente por queda de receita.
Setor de commodities segue pressionado por cenário global
Na avaliação do gestor, os ativos ligados a commodities, como petróleo e minério de ferro, ainda enfrentam um ambiente externo desafiador. A performance desses papéis vai depender da evolução de temas como o tarifaço global, o crescimento das grandes economias e o ritmo de recuperação da China.
“É um cenário que exige leitura atenta. O ponto de virada para as commodities pode vir com a retomada do crescimento global, mas por ora, o investidor precisa ter cautela”, pontua.
Embora o otimismo com a valorização do Ibovespa cresça, Tato Barros reforça que a melhora não será linear para todos os setores. “O investidor precisa olhar para a qualidade da empresa, sua estrutura de capital, geração de caixa e capacidade de execução. São esses fatores que determinam quem de fato vai capturar os ganhos nesse novo ciclo.”
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