Opinião: “quem voa é a Embraer”

Dos vários setores de uma economia, qual modelo de negócio é mais assertivo: focar na produção ou na comercialização?

Obviamente, tudo irá depender de uma boa gestão, sem contar com fatores externos. No quesito aviação, existe a premissa de que companhia aérea não foi feita para quebrar. O custo da malha aérea para qualquer país é fundamental. Se olharmos o passado, é recorrente a ajuda do governo para manter a sustentabilidade do setor.

Em 1935, o governo de São Paulo adquiriu a maioria das ações da Vasp, assinando um convênio para a prestação de serviços e transporte aéreo. Muito tempo depois, mais precisamente em 2017, o STF reconheceu a responsabilidade do Estado de São Paulo, decidindo que a União indenizasse a Vasp pelo congelamento de preços das passagens aéreas entre 1980 e 1990. A empresa entrou em falência após tentar uma recuperação judicial em 2008.

Outra empresa que mexeu nos cofres da União foi a Varig, ao também tentar uma recuperação judicial em 2005. Segundo os autos do processo, a companhia não pagava aluguel dos seus aviões nem cortava privilégios excessivos dos funcionários. Nessa ocasião, o governo não ajudou, porém teve que indenizar mais de 15.000 funcionários, fechando um acordo para pagar R$ 4,7 bilhões.

Vale lembrar que fatores como o preço do combustível (matéria-prima das aeronaves), o câmbio e os juros contribuem para o setor não trabalhar com margens tão apertadas.

No lado oposto, temos a Embraer, que fabrica aviões. Desde 1994, a empresa já valorizou 134.000% em suas ações. Esta semana, a americana Flexjet, líder em voos comerciais executivos, encomendou 182 novos jatos, gerando uma receita futura no valor de US$ 7 bilhões. Com a notícia, as ações da empresa saltaram 15% no pregão de quinta passada.

Considerando a pouca demanda em relação à oferta, nossas empresas aéreas poderiam estar em situação mais confortável, mas, em vez disso, vemos recuperações judiciais, acordos de pagamentos e queda nas ações.

No universo do consumo, ganha quem tem monopólio. Enquanto isso, quem de fato voa é a Embraer.

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