Terapia com células-tronco devolve qualidade de vida a animais de estimação com doenças crônicas


Tratamento inovador é realizado em Tupã (SP) e tem mostrado resultados eficientes em animais com doenças crônicas ou problemas de mobilidade. Veterinária de Tupã usa células-tronco para tratar pets com doenças crônicas
Um tratamento com células-tronco tem transformado a vida de animais de estimação com doenças crônicas. Profissionais de uma clínica veterinária em Tupã (SP) aplicam a nova técnica para tratar problemas articulares, oculares e até condições mais graves.
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Um dos casos que mais chama a atenção é o da cadela “Pequena”, de sete anos, sem raça definida. Ela foi adotada ainda filhote por Luciana Zanella, funcionária pública municipal, após ser resgatada de uma situação de maus-tratos.
Com o passar do tempo, a cachorra começou a apresentar uma grave frouxidão nas articulações e praticamente não conseguia se locomover.
“Ela tinha uma dificuldade motora muito grande, praticamente já não andava mais, e se andava era com muita dificuldade”, conta Luciana em entrevista à TV TEM.
A mudança começou em dezembro do ano passado, quando a tutora iniciou o tratamento com células-tronco. Logo após a primeira aplicação, os resultados surpreenderam.
“No segundo dia da aplicação, a gente já viu uma melhora nela [cachorra]. Ela já passa a caminhar pelo quintal, já passa a correr, ela já passa a chamar o irmão para brincar. Ver esse avanço é uma satisfação muito grande”, disse.
A terapia com células-tronco tem apresentado resultados rápidos e eficazes
TV TEM/Reprodução
Tratamentos que deram certo
O tratamento foi conduzido pela médica veterinária Silvana Gomes Gonzalez, profissional com mais de 30 anos de experiência e professora universitária. A aplicação é feita por via endovenosa, em ambiente escuro, já que as células são fotossensíveis.
Pequena é um dos exemplos de sucesso do tratamento
TV TEM/Reprodução
As sessões ocorrem com intervalo de um mês, e, no caso da “Pequena”, três foram suficientes para que a cadela recuperasse praticamente todos os movimentos.
“A Pequena tinha um problema ligamentar, então, ela teve perda precoce do colágeno que forma os ligamentos nas articulações. Você tocava nela, ela era toda crocante, ela tinha muita dificuldade de trocar o passo. Hoje, a terceira aplicação aconteceu e dentro dessas duas primeiras que ela já fez, com um intervalo de um mês cada uma, ela recuperou praticamente todos os movimentos articulares”, explicou a veterinária.
Outro animal que respondeu bem à terapia foi a gata Laurinha, uma siamesa de pelo menos 10 anos, diagnosticada com uma úlcera ocular. Ela também passou por duas sessões de células-tronco e, de acordo com a cuidadora, voltou a abrir os olhos e novamente demonstrar comportamento ativo e carinhoso.
Laís Larissa Dias, responsável por cuidar da gata, afirmou que não tinha conhecimento que existia esse tipo de tratamento.
Laís cuida de Laurinha desde que a gatinha foi resgatada na rua pelo patrão
TV TEM/Reprodução
Técnica
A técnica, segundo Silvana, tem sido estudada há anos e vem ganhando espaço por sua versatilidade. A célula-tronco é uma célula “inteligente”, que se dirige às áreas do corpo que precisam de reparo.
Silvana Gomes Gonzalez é a médica veterinária que acompanha esses casos
TV TEM/Reprodução
Além de tratar problemas articulares e oculares, também pode ser aplicada em casos de doenças renais, hepáticas, tumores e até distúrbios sanguíneos.
“Antigamente as pessoas achavam que célula-tronco era o último recurso quando não tinha mais nada para fazer. Hoje a gente já pensa em células-tronco como a primeira alternativa.”, disse a médica.
Valiosa alternativa
Além de doenças articulares e oftalmológicas, a técnica pode ser usada em uma variedade de casos
TV TEM/Reprodução
Apesar dos benefícios, o custo ainda é uma barreira. Os valores variam de acordo com a quantidade de células e o tipo de tratamento.
No caso da cadela “Pequena”, por exemplo, foram usadas nove milhões de células por sessão, com um custo entre R$ 2 mil e R$ 3 mil cada.
Mesmo assim, para quem acompanhou de perto o sofrimento do pet, o investimento compensa.
“Eu me sinto realizada porque doía muito ver a pequena sem fazer as atividades que ela gostava de fazer e agora ela corre, ela brinca, ela se alimenta bem e a gente pode ver que a vida dela melhorou muito. O tratamento vale muito a pena, eu estou muito contente.”, concluiu Luciana.
Apesar da eficácia, o custo do tratamento ainda é um obstáculo para muitos tutores
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