
O cenário macroeconômico brasileiro apresenta sinais de desaceleração e pressiona o Banco Central em suas decisões de política monetária. Durante entrevista à BM&C News, Marco Saravalle, CIO da MSX Invest, destacou que a elevação dos juros — e a possibilidade de novas altas — pode comprometer ainda mais a atividade econômica.
“A gente vê um cenário econômico divergente. O Banco Central elevando juros, o que desacelera a economia, afeta as empresas e traz ainda mais volatilidade ao mercado”, afirmou Saravalle. A desaceleração na produção industrial e outros indicadores econômicos reforçam o ambiente de incertezas — tanto no campo doméstico quanto internacional.
Empresas mais sensíveis ao ciclo doméstico sofrem com volatilidade
Saravalle ressaltou que empresas mais expostas ao ciclo econômico interno estão particularmente vulneráveis neste momento. “A gente vai continuar vendo essa volatilidade muito grande nas empresas mais sensíveis ao ciclo doméstico”, alertou o estrategista, destacando que investidores tendem a oscilar entre otimismo e cautela diante de um ambiente tão instável.
Câmbio favorável e dólar global vs cenário para as empresas
Apesar do cenário desafiador, o estrategista apontou dois fatores que vêm ajudando a reduzir a pressão sobre a curva de juros: o comportamento do câmbio e o enfraquecimento global do dólar.
“O câmbio surpreendeu positivamente. O Brasil não fez nada de espetacular, mas houve fluxo para países emergentes. Isso ajudou o câmbio e, consequentemente, a expectativa de inflação”, explicou Saravalle.
Segundo ele, a valorização do real em parte se deve à reversão de um movimento global de fortalecimento do dólar observado no final do ano passado. “Hoje existe um consenso de que o dólar vai se manter mais próximo dos patamares atuais. Ninguém mais fala em R$ 6,30”, observou.
Lucros em queda com avanço das despesas financeiras
Apesar da possibilidade de uma inflação mais controlada, o custo de capital deve permanecer elevado no país. “Não vemos nenhuma condição de voltar a uma Selic de 10% ou 8% ao longo dos próximos anos”, alertou Saravalle.
Ele chamou atenção para os impactos disso nos balanços das empresas. Com a alta da taxa de juros, as despesas financeiras devem crescer significativamente já no primeiro semestre deste ano. “Mesmo com a receita crescendo ou mantendo bons níveis de margem, muitas empresas terão queda de lucro por conta dos juros. E lucro menor significa ações pressionadas para baixo”, destacou.
Investimentos em crédito exigem cautela com prazos longos
Saravalle também fez um alerta direto aos investidores de renda fixa e crédito privado. Segundo ele, há um movimento de alongamento dos prazos de emissão por parte das empresas — o que representa um risco adicional para quem está aplicando recursos.
“Muitos investidores estão alongando duration para 4, 5 ou 6 anos. Mas a gente não sabe nem o que vai acontecer na semana que vem, quanto mais em cinco anos. É preciso cuidado com esses investimentos muito longos no crédito privado”, recomendou.
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