Ibovespa se descola do exterior e atrai fluxo estrangeiro

Ibovespa opera de olho em Haddad, inflação e balanços

A sessão desta quinta-feira (3) foi marcada por uma forte dicotomia entre o mercado brasileiro e os principais índices globais. Enquanto as bolsas dos Estados Unidos e Europa afundaram após o anúncio de novas tarifas de importação por parte do governo americano, o Ibovespa mostrou resiliência e chegou a operar com alta superior a 1% no intraday, impulsionado por fluxo estrangeiro e expectativas mais positivas sobre a economia local.

Cenário internacional pressiona bolsas globais

O dia foi turbulento para os mercados internacionais após o ex-presidente Donald Trump anunciar tarifas de até 30% sobre produtos importados, incluindo aço, alumínio, veículos e fármacos. Em reação, países como China, União Europeia, Japão, México e Canadá prometeram retaliar.

Segundo Ângelo Belitardo, gestor da Hike Capital, “as bolsas lá, como você mencionou, chegam a despencar 10%, e os principais índices do mercado acionário americano operam com queda acima de 2% a 3%”. Ele também destaca o impacto sobre os títulos americanos: “A queda na bolsa americana vem acompanhada da queda dos Treasuries na ponta longa da curva e também acompanhada da queda do dólar em relação às economias emergentes, especialmente o Brasil”.

Ibovespa se descola do exterior e atrai fluxo estrangeiro

Na contramão do cenário global, o Ibovespa operou com ganhos pontuais ao longo do dia. Por volta das 11h30, o índice ultrapassava os 132 mil pontos, refletindo entrada de capital estrangeiro e desempenho positivo em setores menos sensíveis às commodities.

Ângelo observa que “esse cenário nos Estados Unidos de desaceleração, queda dos Treasuries, queda do dólar, abre espaço para a nossa política monetária aqui no Brasil se comportar de uma forma mais amena”. Isso contribuiu para a queda da curva de juros, especialmente na ponta longa, o que impulsionou empresas alavancadas.

Destaques do dia no Ibovespa

Entre os setores que mais se destacaram, o setor elétrico brilhou com ações como Aurem (AURE3) e Energisa (ENGI11), favorecidas pela queda dos juros. Já as petroleiras Petrobras (PETR4) e Prio (PRIO3) recuaram, refletindo o tombo no preço do petróleo — que caiu mais de 6%, com o Brent e o WTI em queda acentuada diante do temor de desaceleração global.

Embraer (EMBR3) também figurou entre os destaques positivos, com alta na esteira da entrega de 30 aviões no primeiro trimestre, número 20% superior ao mesmo período do ano passado. A Azul (AZUL4) também foi notícia após anunciar um aumento de capital para reforçar o caixa.

No universo das ações ligadas à economia doméstica e intensivas em capital, Belitardo chamou atenção para o desempenho de papéis como Simpar (SIMH3), Ânima (ANIM3), Movida (MOVI3), EcoRodovias (ECOR3) e Desktop (DESK3):

“A gente já tem visto Sempar, Grupo Ânima, Movida sendo um dos principais destaques hoje na bolsa… essas empresas estão apresentando uma extensa valorização desde ontem, reflexo de trabalhar aqui na economia agora com um patamar de juros menores.”

Câmbio e expectativas para juros

O dólar comercial fechou em queda de 1,6%, cotado a R$ 5,60, refletindo o desmonte de posições defensivas e a saída de capital de mercados desenvolvidos para emergentes. “A queda do dólar favorece o Brasil, dado que um comportamento mais benigno da moeda reduz a projeção de inflação (IPCA) para 2025 e 2026”, explicou Belitardo.

Oportunidade para o Brasil? Sim, mas com cautela

Apesar do alívio nos mercados locais, o gestor da Hike Capital lembra que é preciso manter a cautela. O cenário fiscal segue desafiador, com o governo em um viés expansionista e o Banco Central em trajetória contracionista. Além disso, a aproximação das eleições de 2026 pode adiar reformas e ampliar gastos públicos:

“É um cenário de otimismo, mas de cautela também. Os investidores estão atentos à possibilidade de reeleição do Lula ou à definição de um novo nome da direita. Reformas estruturais devem ser postergadas e gastos podem aumentar.”


Resumo do dia

  • Ibovespa: Oscilou ao longo do dia, com viés positivo; setores domésticos e elétricos lideraram os ganhos.
  • Dólar: Caiu 1,6%, cotado a R$ 5,60.
  • Juros Futuros: Curva de juros recuou com perspectiva de inflação mais baixa.
  • Petróleo: Queda superior a 6% pressiona ações do setor.
  • Commodities e Exportadoras: Sofrem com temores de desaceleração global.
  • Empresas alavancadas e domésticas: Valorizadas diante do novo cenário de juros.

O post Ibovespa se descola do exterior e atrai fluxo estrangeiro apareceu primeiro em BM&C NEWS.

Adicionar aos favoritos o Link permanente.