
As tarifas anunciada por Donald Trump estão gerando reflexos mais profundos no mercado de câmbio. Segundo Sérgio Machado, sócio-gestor da MAG Investimentos, o momento atual é de alta incerteza, e os primeiros sinais apontam para uma pressão negativa sobre o dólar, que perdeu força frente a diversas moedas, tanto centrais quanto emergentes.
“Estamos vendo um enfraquecimento brutal da moeda americana vis-à-vis o resto do mundo”, afirmou o gestor, destacando que o euro subiu 2,5% e a libra, 0,5% frente ao dólar, além da valorização generalizada das moedas emergentes.
Bolsas em queda e juros em queda após tarifas de Trump
Apesar do ambiente de maior aversão a risco, a resposta dos mercados foi heterogênea. As bolsas globais operaram em queda, refletindo o mau humor dos investidores com os riscos de retaliação, desaceleração econômica e ruptura das cadeias produtivas.
Por outro lado, as taxas de juros caíram, num movimento que Sérgio classifica como contraditório, especialmente diante do risco de inflação associado às tarifas.
“É curioso, porque se houvesse realmente uma expectativa de inflação mais alta, os juros estariam pressionados para cima. Mas o que vemos é o contrário: juros caindo e dólar enfraquecendo.”
Impactos ambíguos das tarifas sobre inflação e atividade
Segundo Machado, os efeitos da medida sobre a inflação e a atividade econômica ainda são incertos. De um lado, a substituição de importações por produção interna poderia ter um efeito deflacionário. De outro, a redução na oferta de produtos e o aumento de custos podem levar à alta de preços.
“Tem lado que pode ser deflacionário por estimular a produção local, mas também pode ser inflacionário com substituição ineficiente. É um equilíbrio difícil de prever.”
No caso da atividade econômica, o gestor aponta que também há incertezas: as tarifas podem gerar um estímulo de curto prazo ou, ao contrário, levar à retração da demanda global.
Cautela nas projeções e um ambiente de especulação elevada
Machado adverte para o excesso de conclusões apressadas por parte do mercado. Segundo ele, há muita especulação, com grandes casas ainda buscando entender o real impacto da medida.
“Eu estava ouvindo o Bradesco, a SPX… todo mundo está num nível de incerteza. Já ouvimos muitas vezes que viria uma recessão e ela não veio. É preciso calma.”
Para ele, o momento pede análise criteriosa, sem pressa para definir cenários definitivos.
“Está tudo muito embaralhado. É literalmente um ‘saco de gato’. Ninguém sabe, de fato, o que vai acontecer. Por isso, o cuidado com as conclusões é fundamental.”
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