
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma nova tabela de tarifas sobre produtos importados, com alíquotas que variam de 10% a 54%, dependendo da relação comercial com o país exportador. Entre os alvos estão a China (54%), a União Europeia (20%) e o Brasil (10%). Segundo Frederico Nobre, gestor de investimentos da Warren, a medida faz parte da estratégia de Trump de “devolver aos EUA a capacidade de fabricação estrategicamente importante“, numa tentativa de reindustrializar o país e agradar sua base política mais conservadora. “É uma agenda voltada para dentro, com foco em reativar a indústria americana e proteger empregos locais, mesmo ao custo de instabilidade global”, avalia.
Tarifas de Trump aumentam riscos globais e eleva aversão a risco
Na visão de Nobre, as tarifas anunciadas elevaram o nível de incerteza global, provocando uma reação imediata nos mercados financeiros. “Estamos vendo um movimento claro de aversão a risco. Os mercados temem tanto uma desaceleração mais forte da economia global quanto o risco de recessão nos Estados Unidos”, aponta o especialista. Ele também destaca que o impacto pode se estender para os consumidores americanos, por meio de pressões inflacionárias causadas pelo aumento nos custos de produtos importados. “As tarifas podem encarecer a vida das famílias nos EUA, o que gera um efeito político reverso para o próprio Trump”, diz.
Bolsa americana reage mal às tarifas
A reação do mercado foi rápida: o S&P 500 reverteu ganhos e caiu 1,7% no intraday, enquanto o Nasdaq recuou cerca de 2,4%, refletindo o peso das empresas de tecnologia — mais expostas ao comércio global — sobre os índices. “As Magnificent Seven, que têm grande parte da receita fora dos EUA, são diretamente afetadas por esse tipo de medida, o que amplia a volatilidade nos índices como o Nasdaq”, explica Nobre. Ele também destaca que o anúncio inicial de uma tarifa-base de 10% deu algum alívio momentâneo ao mercado, mas a divulgação posterior dos números reais — com tarifas muito mais altas — provocou a reversão do movimento.
Fly to Quality: ouro e treasuries ganham protagonismo em meio à turbulência
Com a escalada de tensões, investidores estão migrando para ativos considerados mais seguros, num típico movimento de Fly to Quality. “O ouro é a classe de ativo com melhor performance no ano, e tem se destacado ainda mais com o aumento da incerteza. Além disso, o próprio decreto do Trump isenta o ouro das tarifas, o que ajuda na atratividade”, afirma Nobre. Segundo ele, os treasuries norte-americanos de curto prazo também ganham espaço. “Com o mercado precificando até três cortes de juros do Fed este ano, e o dólar perdendo força frente a moedas emergentes, os treasuries de dois anos, por exemplo, se tornam uma excelente opção de proteção”, complementa.
Brasil pode sair menos prejudicado e até ganhar espaço nos fluxos comerciais
Apesar do ambiente desafiador, o especialista vê o Brasil como um dos países menos prejudicados pela nova política tarifária dos EUA. “A tarifa de 10% sobre o Brasil é relativamente baixa quando comparada a outros países emergentes. Isso pode até abrir espaço para que o Brasil ganhe novos mercados, principalmente na Ásia, onde já temos forte presença e know-how em exportação”, aponta. Ele também observa que o real tem sido uma das moedas emergentes com melhor performance no ano, refletindo um diferencial positivo em relação a outros pares.
Cenário nebuloso para ações globais e cautela no curto prazo
Por fim, Frederico Nobre recomenda cautela com ações globais, especialmente no curto prazo. “O cenário para a renda variável ficou mais nebuloso. As tarifas não são boas para o crescimento global e podem reduzir lucros corporativos, dependendo do grau de repasse dos custos”, diz. Ele também lembra que, embora os impactos variem de país para país, a China tende a ser mais afetada do que economias como a da União Europeia ou mesmo o Brasil. “A tendência é o mercado ficar na defensiva enquanto espera por possíveis contramedidas dos países afetados pelas tarifas de Trump”, conclui.
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O post Tarifas de Trump: “não são boas para o crescimento global” avalia gestor da Warren apareceu primeiro em BM&C NEWS.