Tarifas recíprocas: bolsas dos EUA afundam no mercado futuro após anúncio de Trump


Presidente americano diz que tarifas recíprocas serão de ao menos metade das alíquotas cobradas dos EUA por outros países. Brasil será tarifado em 10%. Trump mostra tabela do “Dia da libertação” com tarifas a países
As bolsas de valores dos Estados Unidos fecharam em alta nesta quinta-feira (2), antes do anúncio das tarifas recíprocas pelo presidente Donald Trump.
Mas, enquanto o norte-americano detalhava as medidas, os índices futuros das bolsas americanas mergulharam. O S&P 500 caiu 1,6%, enquanto o Nasdaq recuou 2,4%.
🔎 Os índices futuros são contratos negociados enquanto as bolsas estão fechadas, e que permitem especular sobre a direção do mercado no dia seguinte. A queda mostra que investidores esperam grandes perdas quando Wall Street abrir nesta quinta-feira (3).
“Palavras de presidentes importam”, disse Christopher Wolfe, presidente e diretor de investimentos da Pennington Partners & Co, à agência Reuters. “Elas podem, e de fato, mudam políticas e a forma como a América corporativa responde às coisas. Esse é o peso que todos estamos sentindo agora.”
O presidente dos EUA detalhou nesta quarta-feira (2) quais serão as tarifas recíprocas que pretende cobrar de produtos importados a partir de abril.
O republicano afirmou que o país cobrará ao menos 10% de todas as importações feitas pelo país, inclusive do Brasil, e que as demais tarifas que serão cobradas dos países que taxam produtos norte-americanos serão ao menos metade da alíquota cobrada dos EUA.
As taxas serão aplicadas a partir de 5 de abril. Já as tarifas recíprocas individualizadas, mais altas, serão impostas aos países com os maiores déficits comerciais com os EUA a partir do dia 9.
Veja abaixo a lista completa.

Chamada pelo republicano de “Dia da Libertação”, esta quarta-feira (2) marca o início de um conjunto de tarifas que, segundo Trump, libertarão os EUA de produtos estrangeiros.
“A partir de amanhã, os EUA implementarão tarifas recíprocas sobre outras nações. […] Vamos calcular a taxa combinada de todas as suas tarifas, barreiras não monetárias e outras formas de trapaça. […] cobraremos deles aproximadamente metade do que eles têm cobrado de nós”, afirmou Trump.
Trump afirmou que “teria sido difícil para muitos países” cobrar a mesma alíquota cobrada dos EUA, e que daria descontos porque os americanos são “muito gentis”.
“Se vocês olharem para aquela primeira linha da China, 67%, essas são as tarifas cobradas dos EUA, incluindo manipulação cambial e barreiras comerciais. […] vamos cobrar uma tarifa recíproca com desconto de 34%”, disse.
“União Europeia, eles são muito duros, comerciantes muito, muito duros. Vocês sabem, vocês pensam na União Europeia, muito amigáveis. Eles nos exploram. É tão triste de ver. É tão patético. 39%, vamos cobrar deles 20%.”
O presidente norte-americano disse ainda que, caso os países não queiram ser taxados, devem transferir suas fábricas para os EUA. “Tarifas dão ao nosso país proteção contra aqueles que nos fariam mal econômico. […] Mas, ainda mais importante, elas nos darão crescimento”, afirmou Trump.
Trump anuncia 10% de taxa para produtos brasileiros
Na última semana, o presidente norte-americano chegou a afirmar que as tarifas devem incluir todos os países, mas disse que as taxas podem ser mais suaves do que se espera e que está disposto a fazer acordos.
Além das tarifas recíprocas, outras taxas já anunciadas por Trump também passaram a valer nesta quarta-feira (2), como a cobrança de 25% sobre carros importados pelos EUA e as taxas de 25% sobre as exportações feitas ao país e que não se enquadrem no USMCA (acordo comercial que existe entre os três países), por exemplo.
As incertezas sobre como essas taxas devem funcionar e quais os impactos podem ter nas economias do mundo têm impactado o mercado financeiro nas últimas semanas e causado uma série de reações de diferentes países.
No Brasil, o Senado Federal aprovou, na véspera, em regime de urgência, um projeto que cria mecanismos e autoriza o governo a retaliar países ou blocos que imponham barreiras comerciais a produtos brasileiros.
O projeto recebeu apoio amplo do Congresso e do governo, e veio após Trump citar o Brasil como exemplo de um país que deve ser taxado.
Trump: Decreto do ‘tarifaço’ é ‘declaração de independência econômica’ dos EUA

Adicionar aos favoritos o Link permanente.