
O mercado financeiro brasileiro encerrou o pregão desta quarta-feira em tom cauteloso, com o Ibovespa recuando 0,87%, aos 124.050 pontos, em meio à expectativa global pelo aguardado discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no chamado Liberation Day. O dólar oscilou, mas encerrou praticamente estável, cotado a R$ 5,70.
Enquanto investidores aguardavam os detalhes sobre as novas tarifas comerciais americanas, o mercado se manteve em modo “stand-by”, como descreveu o analista CNPI Leandro Martins, da BM&C News.
“O Ibovespa hoje desenhou um doji, aquela formação gráfica que representa equilíbrio entre compradores e vendedores. Isso mostra claramente que o mercado está em compasso de espera, de olho no que pode vir do exterior”, explicou Martins durante o programa Closing.
Dólar com viés de queda e índice com viés de alta?
Segundo Leandro, apesar da tensão no ar, não houve sinais evidentes de estresse no câmbio ou na bolsa ao longo do dia:
“Não vejo aumento de estresse no dólar, pelo contrário. Ele está respeitando a tendência de baixa. O volume está vendedor e o gráfico indica possibilidade de continuidade na queda”, analisou.
Ele destacou ainda um suporte importante no patamar de R$ 5,70, que pode sustentar o viés de baixa nos próximos dias, caso não haja grandes surpresas no cenário global
Análise gráfica: ações em destaque
Durante o Closing, Leandro também destacou papéis com movimentos técnicos relevantes:
Ações com viés positivo:
- ABEV3: “Está descansando numa resistência histórica. Fundinho arredondado indica possibilidade de novo teste de alta.”
- BIFE3 (Minerva): “Fez bandeira de alta, rompeu com volume, quem tem, mantém.”
- ECOR3: “Mudou de patamar. Três pregões de alta. Pode buscar R$ 7,50.”
- RENT3 (Localiza): “Outro padrão de bandeira, volume crescente, sinal de continuidade.”
Setor de supermercados:
- PCAR3 (GPA): “Rompeu resistência dos R$ 3,50, mas sem qualidade. Subiu direto, deve corrigir. Quem tem, proteja.”
- ASAI3 (Açaí): “Volume crescente, descanso saudável. Pode romper R$ 8,40.”
Alerta para ações esticadas
Leandro fez questão de emitir alertas para dois ativos que, segundo ele, estão perigosamente esticados:
- BHIA3 (Casas Bahia): “Subiu 300% em pouco tempo. Não se justifica. Pode corrigir fortemente. Protejam seus lucros.” “Até tem notícia de que o Michael Klein aumentou participação, mas graficamente, o risco é enorme.”
- GFSA3 (Gafisa): “É uma empresa com fundamentos questionáveis, diferente de outras do setor. Graficamente, pode estar formando um engolfo de baixa.”
Panorama técnico do mercado
Ao final do programa, Martins fez um panorama do índice e do câmbio:
- Mini índice: “Ensaiando romper resistência, viés de alta.”
- Dólar: “Oscilou, mas segue respeitando linha de baixa. Suporte em R$ 5,70 é crucial.”
- S&P 500 (via IVVB11): “O ETF mostra correção moderada, sem pânico por enquanto.”
Conclusão: o que esperar?
Com o anúncio das tarifas marcado para após o fechamento do mercado, a expectativa é de maior volatilidade nos próximos dias.
“O investidor deve focar na proteção agora. Quem está comprado em ativos que já subiram muito, como Casas Bahia, precisa pensar no stop e não na ganância”, orientou Leandro.
O post Ibovespa tem leve queda na expectativa por tarifas de Trump apareceu primeiro em BM&C NEWS.