Mulher mantida refém pelo ex durante audiência judicial diz que foi coagida a confirmar que havia reatado relacionamento


Homem foi preso na tarde desta terça-feira (1º). Mulher já tinha medida protetiva contra suspeito. Homem é preso após sequestrar companheira durante audiência sobre violência doméstica
Um homem de 40 anos foi preso, na tarde desta terça-feira (1º), suspeito de manter a ex-companheira refém durante uma audiência online do Juizado de Violência Doméstica do Recanto das Emas, no Distrito Federal (veja detalhes abaixo). A vítima disse aos policiais que foi sequestrada pelo homem na segunda-feira (31), quando saía de um supermercado.
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Segundo o Ministério Público do DF, a audiência era para discutir se a mulher tinha se reconciliado com o suspeito, contra quem tinha uma medida protetiva. Em depoimento à Polícia Civil, a vítima contou que o homem queria que ela afirmasse que os dois haviam reatado.
Depois de ouvir a mulher responder a promotora que os dois não estavam juntos, o homem ficou agressivo e quebrou o retrovisor interno do carro, ainda segundo o depoimento.
Em um momento em que o homem deixou o carro, a mulher mandou uma mensagem a uma servidora da Defensoria Pública, pedindo por ajuda. Em seguida, ela apagou a mensagem do celular para que o ex-companheiro não visse.
Ainda segundo o relato, durante o tempo em que foi mantida refém, eles encontraram um amigo do suspeito, mas ela teve vergonha de pedir ajuda. Além de impedir que a mulher fosse embora, o homem ameaçava que iria explodir o carro e queria que ela lhe desse metade dos bens dela, como o carro e uma quantia em dinheiro.
Audiência judicial
Homem sequestra mulher durante audiência sobre violência doméstica no DF
Reprodução
As imagens mostram que a mulher estava dentro de um carro (veja vídeo no início da reportagem). Enquanto o homem estava de cabeça baixa, a vítima virou a câmera do celular para mostrar que estava acompanhada dele.
“Tudo bem com a senhora?”, perguntou a promotora. Apesar de responder que estava bem, a mulher balançou a cabeça negativamente.
“A senhora está em um carro. Está estacionada onde?”, continuou questionando a promotora. Após a vítima responder que está em Taguatinga, o homem interveio: “é videoconferência. Não quero saber de conversa, não.”
Nas imagens, é possível ver que o homem tentava se esconder da câmera. Enquanto isso, ele usava um dos fones de ouvido para escutar o que acontecia durante a audiência. Em outro momento, a mulher virou a câmera outra vez para tentar mostrar onde estava.
Prisão
Abordagem de homem que sequestrou mulher durante audiência sobre violência doméstica
A chamada terminou antes do fim da sessão porque o homem desconectou o celular, segundo a vítima. Por causa do comportamento estranho, os membros do Ministério Público, do Tribunal de Justiça e da Defensoria Pública perceberam que a mulher estava, na verdade, sendo vítima de um sequestro e sendo coagida.
Um mandado de prisão contra o homem foi emitido e a Polícia Militar, acionada. O carro do suspeito foi localizado na DF-457, sentido Samambaia. A câmera da viatura da PM registrou a abordagem (veja vídeo acima).
Aos policiais, a vítima contou que teve um relacionamento de dez anos com o suspeito. Por causa do comportamento agressivo e dos abusos psicológicos, ela resolveu se separar do homem. Segundo a PM, a equipe do Policiamento de Prevenção Orientada à Violência Doméstica (Provid) prestava apoio regular à vítima.
O homem foi levado para a delegacia de Taguatinga. Segundo a polícia, ele já tinha antecedentes criminais por outros crimes relacionados à violência doméstica.
Onde denunciar casos de violência contra mulher?
pelo número 180, que é gratuito.
pelo site da Ouvidora Nacional dos Direitos Humanos, do Governo Federal;
pelo aplicativo Direitos Humanos Brasil;
pelo número 190 da Polícia Militar em caso de emergência;
registre a ocorrência em uma delegacia de polícia, de preferência nas Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deam);
entre em contato com os Centros de Referência da Mulher para suporte psicológico, orientação jurídica e acolhimento.
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