Quaest: avaliação negativa sobre dados da economia aprofunda alerta no governo Lula

Integrantes do núcleo do governo Luiz Inácio Lula da Silva receberam com preocupação o aumento da desaprovação da gestão petista, retratado na pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (2).
No governo, a percepção é de que a inflação persistente dos alimentos ainda causa um forte mau humor na população, com reflexo direto na avaliação do presidente e da gestão.
A pesquisa Quaest revela que a crise é ainda mais profunda, com desaprovação em alta no Nordeste, entre mulheres e entre os mais pobres.
A desaprovação de Lula chegou a 56% e a aprovação caiu para 41% – os piores índices desde o início do atual mandato.
Veja os números:
Aprova: 41% (eram 47% em janeiro)
Desaprova: 56% (eram 49%)
Não sabe/não respondeu: 3% (eram 4%)
Quaest: 56% desaprovam governo Lula, e 41% aprovam
O governo avalia que, mesmo tentando emplacar uma pauta positiva ao longo dos últimos meses, os esforços ainda não chegaram à população.
O Planalto também atribui parte desse mau humor à elevação da taxa de juros. O grande problema é que, para recuperar a popularidade, o Executivo tem pressionado por uma política expansionista, de mais gastos – o que dificulta a ação da política monetária para baixar os preços.
Desde o início do ano, o governo anunciou:
o aumento da isenção do Imposto de Renda;
o crédito consignado para trabalhadores CLT;
a liberação do FGTS para quem foi demitido e tinha optado pelo saque-aniversário.
Além disso, começou a tomar medidas para combater a alta do preço dos alimentos, como a isenção do imposto de importação para os itens da cesta básica.
Lula também passou a viajar mais e dar mais entrevistas.
“As pessoas estão sentindo a inflação no bolso. Mesmo com o aumento real do salário mínimo, as famílias não conseguem mais comprar os itens da cesta básica na mesma proporção. O cenário cria um mal-estar generalizado. Não adianta aumentar o valor do salário mínimo se as pessoas não conseguem comprar”, disse ao blog um ministro próximo ao presidente.
De olho em 2026
No governo, a percepção é de que esse cenário enfraquece muito a costura de apoio político para 2026, quando haverá nova eleição.
Caso não haja uma reversão, o temor é de uma debandada. Tanto, que o núcleo petista do governo quer dar um ultimato para que os integrantes do Centrão que estão no governo definam apoio a Lula ainda no primeiro semestre.
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