
O mercado financeiro manteve a projeção de inflação medida pelo IPCA em 5,65% para 2025, conforme divulgado no Boletim Focus desta segunda-feira (31). A expectativa, que permanece inalterada há quatro semanas, segue acima do centro da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3%.
Focus aumenta projeção para PIB
Já a estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) recuou pela terceira semana consecutiva: caiu de 1,98% para 1,97%. Para 2026, a expectativa de avanço do PIB foi mantida em 2,00%.
Em relação à taxa básica de juros, o Focus mostra estabilidade: a projeção para a Selic ao fim de 2025 segue em 15% ao ano, refletindo o cenário de política monetária contracionista em resposta ao nível elevado de inflação.
Focus revisa dólar e contas públicas
No câmbio, o relatório trouxe uma leve valorização do real, com a projeção para o dólar ao fim de 2025 passando de R$ 5,95 para R$ 5,92.
Outro ponto de destaque foi a deterioração nas contas públicas. O mercado elevou o pessimismo sobre o resultado primário, com estimativa de déficit de 0,60% do PIB para 2025. Já o resultado nominal esperado subiu de -8,99% para -9,00% do PIB. A dívida líquida do setor público também preocupa: a projeção para o ano é de 65,75% do PIB.
Na balança comercial, houve leve ajuste para baixo, de US$ 75,40 bilhões para US$ 75 bilhões. Já a conta corrente piorou, com déficit estimado em US$ 56 bilhões, frente aos US$ 55,80 bilhões da semana anterior.
O relatório Focus é publicado semanalmente pelo Banco Central com as medianas das expectativas do mercado para os principais indicadores macroeconômicos.
Para além dos números
Para o economista Maykon Douglas, a leve redução na expectativa de crescimento do PIB em 2025 reflete uma calibragem natural do mercado diante dos efeitos do atual aperto monetário. Segundo ele, iniciativas como o novo consignado privado podem, em algum grau, compensar parte da desaceleração prevista, mas ainda há incertezas relevantes sobre o impacto líquido do programa.
“É preciso avaliar a quantidade de crédito novo que essa medida pode gerar, o quanto será apenas substituição de dívida antiga por nova, além da disposição dos bancos em ofertar esse crédito”, explica. Como o programa ainda é recente, o Banco Central não o incorporou oficialmente em suas projeções. “À medida que a incerteza se reduzir, o mercado vai ajustando suas expectativas”, afirma o economista, que mantém, por ora, sua projeção de crescimento em 2,2% para 2025.
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