Aliados pediram fala curta a Bolsonaro, que ignorou; base de Lula celebra: ‘Quando seu inimigo estiver errando, não o interrompa’

Ex-presidente foi aconselhado a defender inocência e amor ao país, mas acabou cometendo arroubos e repetindo fake news; time de Lula vê “sequência de erros”. “Aconselhei ele a falar o mínimo. Ele não me atendeu.” O relato é de um ex-ministro de Jair Bolsonaro, que reconhece os danos causados pelo próprio ex-presidente tanto à sua defesa técnica como junto a parte da opinião pública.
Ao se pronunciar na quarta (26), logo após o veredito unânime dos cinco ministros que compõem a Primeira Turma do Supremo, Bolsonaro acabou repetindo desinformações e teorias da conspiração que compõem o cenário que o levou até o banco dos réus, como mostrou o blog de Andreia Sadi.
Quem celebrou foi, por óbvio, a base do presidente Lula. “Napoleão dizia: Quando seu inimigo estiver errando, não o interrompa. E eu os vejo cometendo uma sequência de erros”, diz um líder do governo Lula.
Ele cita 1) o chamamento para o ato em Copacabana, que a despeito da disputa política claramente não reuniu o que a família Bolsonaro esperava, 2) a decisão de Eduardo Bolsonaro de se refugiar nos Estados Unidos sem que houvesse ameaça concreta à sua liberdade no país e 3) a reação “fora de prumo” de Bolsonaro ontem à decisão do STF.
“Para fechar com laço e tudo ainda teve o trompetista com a marcha fúnebre”, ironiza o aliado de Lula.
O ex-presidente volta a se reunir hoje com aliados de peso para debater a estratégia política a partir de agora. Bolsonaro sabe que o caminho jurídico será pesado e precisa encontrar uma forma de defender seu nome e seu legado sem recorrer às ações que abastecem os processos que ele enfrenta.
De saída, a base bolsonarista vai lançar ainda mais peso na tese da anistia aos condenados pelo 8 de janeiro, que em última instância pode beneficiar o ex-presidente.
Do outro lado, o time de Lula tentará usar o espaço aberto pelo foco da oposição no STF para puxar pra si a pauta da “discussão da vida real”. “Aqui, a dona Maria, eu acho, tá mais preocupada com o preço do ovo do que com a anistia. E nós vamos mostrar que estamos tentando mexer no que importa: comida”, finaliza o líder governista.
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