
De acordo com o Ministério Público, a motivação para o crime seria o ressentimento e a inveja. Nataly Helene já tinha três filhos homens e havia feito laqueadura, mas desejava ter uma filha mulher. Emilly Azevedo Sena, de 16 anos
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A denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que acusa Nataly Helen Martins Pereira por feminicídio e outros sete crimes, aponta que o bebê retirado à força do ventre da adolescente Emilly Teixeira, de 16 anos, nasceu sem sinais vitais e foi reanimado pela denunciada. O documento foi formalizado nessa quarta-feira (26).
“O bebê nasceu sem sinais vitais, precisando ser reanimado pela própria denunciada através de massagem cardíaca, o que evidencia o risco concreto à vida fetal provocado pelas ações asfixiantes anteriores”, diz trecho da denúncia.
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Segundo a denúncia, Nataly matou Emilly, no último dia 12 de março, após atraí-la para uma casa da família, no bairro Jardim Florianópolis, em Cuiabá, com a promessa de receber doações de roupas de bebê. A suspeita teria planejado o crime com antecedência e escolhido a vítima que estava no 9º mês de gestação, chegando a cavar uma cova rasa no quintal do imóvel com antecedência.
De acordo com o MP, a motivação para o crime seria o ressentimento e a inveja. Nataly, que já tinha três filhos homens e havia feito laqueadura, desejava ter uma filha mulher.
O bebê está na casa da família da mãe, aos cuidados da avó materna e do pai.
A denúncia
Nataly Helen Martins Pereira, de 25 anos, em depoimento à polícia
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Na segunda-feira (24), a Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou Nataly por homicídio quadruplamente qualificado e ocultação de cadáver e, no dia seguinte, o MP fez a denúncia.
De acordo com a Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Nataly asfixiou Emilly e praticou o crime por motivo torpe e cruel, com recurso que impossibilitou a defesa da vítima e com o intuito de roubar o recém-nascido da adolescente. Além dos crimes cometidos contra a vida da jovem, Nataly também deverá responder por registrar como próprio um parto alheio e uso de documento falso.
A investigação revela que ela monitorava gestantes de meninas em grupos de doação na internet.
A 27ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá denunciou, nesta quarta-feira (26), Nataly Helen Martins Pereira por oito crimes.
Nataly foi denunciada pelos seguintes crimes:
feminicídio
tentativa de aborto
subtração de recém-nascido
parto suposto
ocultação de cadáver
fraude processual
falsificação de documento particular
uso de documento falso
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Ao g1, a mãe de Emilly, Ana Paula Meridiane, informou que a mulher com quem a filha conversava pelas redes sociais afirmava ser mãe de dois meninos e que estaria à espera de uma terceira filha e, por isso, tinha roupas de bebê para doar.
Durante as mensagens trocadas, a suspeita disse ter roupas de bebê e um protetor de berço para doar, enviando a localização para que Emilly fosse buscá-los. No entanto, após sair de casa, a jovem desapareceu e não foi mais vista.
“Ela falou que ganhou muita roupa e queria doar um pouco para Emilly. Então, mandou a localização e até um Pix para que minha filha pudesse ir até lá buscar as roupas. Só que ela foi e não voltou”, relatou a mãe.
Prisão de casal
No dia 13 de março, o casal procurou o Hospital Santa Helena, em Cuiabá, para registrar um bebê recém-nascido, com a alegação de que a criança tinha nascido em casa.
A equipe médica estranhou o comportamento da mulher, que afirmava ter dado à luz recentemente. Diante da suspeita, os profissionais acionaram a polícia, que deteve o casal e os encaminhou à delegacia. Exames mais detalhados serão realizados para determinar se a mulher estava, de fato, grávida.
A mãe da jovem desaparecida foi até o hospital, onde a criança permaneceu após a equipe médica da unidade chamar a polícia.