Família de defensora pública morta por infecção generalizada presta última homenagem: ‘Leva cada um de nós com ela’


Geana Aline de Souza, de 39 anos, também era presidente da Associação das Defensoras e Defensores Públicos de Roraima (ADPER). Defensora pública Geana Oliveira, morta nessa terça-feira (25)
Divulgação/ADPER
“Ela trabalhava com dedicação e muito amor. Eu não consigo por em palavras a dor”. A declaração é do empresário Cláudio Rodrigues, de 40 anos, marido da defensora pública de Roraima, Geana Aline de Souza, de 39 anos, morta nessa terça-feira (25) por infecção generalizada uma semana após tentar colocar um DIU.
“Ela trabalhava com dedicação, muito amor. Meus filhos quando conheceram ela… eles eram pequenos e ela me ajudou muito com eles… ela sempre recebia as pessoas com muito carinho, uma atenção única para resolver os problemas das pessoas… ela deixa muitas pessoas que a amam”, disse, muito emocionado, o empresário ao g1.
O empresário acompanha com a família o velório da esposa no prédio da cível da DPE-RR, localizado na avenida Sebastião Diniz, no Centro de Boa Vista. Ele era casado há 8 anos com a defensora.
Geana passou pelo procedimento de tentativa de inserir o DIU no dia 18 de março em uma clínica particular na cidade. Depois, sentiu febre e teve dores em casa.
Nessa terça, deu entrada em um hospital privado na cidade, onde o quadro se agravou e ela não resistiu. A família não informou o nome da médica e a clínica onde foi a tentativa de inserção do DIU.
A defensora teve uma infecção grave no colo do útero, informou a família ao g1. Essa infecção se espalhou pelo corpo e evoluiu para uma infecção generalizada, que levou a falência de órgãos, como os rins e o fígado.
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Velório da defensora pública Geana Aline de Souza, de 39 anos, nesta quarta-feira (26)
Caíque Rodrigues/g1 RR
A cunhada de Geana e irmã de Cláudio, Luiza Barros, de 37 anos, destacou o “coração bondoso” da defensora e a definiu como “luz para a família”.
“Ela era uma pessoa excepcional, maravilhosa, com um coração bondoso, educada, elegante, uma cunhada sem defeitos. Sempre buscava a união familiar, era uma luz para a família. Diante de qualquer problema ou situação, estava sempre disposta a ajudar, a oferecer uma palavra de carinho. Ela não merecia tudo isso que aconteceu”.
“É inimaginável aceitar essa realidade. Não encontro palavras para expressar o que sinto agora, mas eu a amo e continuarei amando por toda a minha vida. Ela leva cada um de nós com ela. Sei que, algum dia, todos nós iremos nos reencontrar”, declarou, emocionada, a cunhada ao g1.
Morte por infecção generalizada
A defensora teve uma infecção grave no colo do útero, informou a família ao g1. Essa infecção se espalhou pelo corpo e evoluiu para uma infecção generalizada, que levou a falência de órgãos, como os rins e o fígado.
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Em nota, o hospital onde Geana morreu divulgou que ela deu entrada no pronto socorro às 15h25, já em “gravíssimo estado de saúde”. Segundo a unidade, ela estava em “choque séptico, em gravíssimo estado de saúde, secundário a abdômen agudo perfurativo de foco ginecológico”.
Além disso, apresentava “insuficiência renal, insuficiência hepática, insuficiência circulatória e dor abdominal intensa”. Geana foi “rapidamente submetida à cirurgia de emergência com posterior internação na Unidade de Terapia Intensiva. Evoluiu com rápida deterioração clínica, indo a óbito posteriormente”.
Geana atuava como defensora pública desde 2017. Também era presidente da Associação das Defensoras e Defensores Públicos de Roraima (ADPER). Atualmente, atuava na vara de execução penal.
Ela também atendeu na comarca de São Luiz, no Sul do estado. Por conta da morte, a DPE-RR paralisou todos as atividades em Roraima nesta quarta-feira (26).
O velório da defensora Geana ocorre no prédio da cível da DPE-RR, localizado naa venida Sebastião Diniz, no Centro de Boa Vista, e segue até 16h30. Geana será enterrada Cemitério Municipal Nossa Senhora da Conceição às 17h.
A DPE-RR publicou uma nota de pesar onde lamenta a morte de Geana e destaca o comprometimento da defensora com com a justiça e a defesa dos direitos dos mais vulneráveis.
“Desde 2017, quando ingressou na Defensoria Pública, desempenhou sua missão com dedicação e empatia, deixando sua marca por onde passou. […] Mais do que uma colega de trabalho, Geana Aline era uma pessoa admirada por sua força, generosidade e companheirismo. Sua partida deixa um vazio imenso na Defensoria e no coração de todos que tiveram o privilégio de conhecê-la”.
“Roraima perde uma defensora incansável. Seu legado e exemplo permanecerão vivos em nossa memória”, destacou o órgão.
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