“Corte da Selic em 2025 não é crível”, diz economista

Durante entrevista ao programa BM&C News, o economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, criticou a expectativa do governo de que a taxa Selic possa ser reduzida no segundo semestre de 2024. Segundo ele, os estímulos fiscais em andamento e a falta de controle efetivo sobre as contas públicas impedem qualquer movimento consistente de queda dos juros.

“Eu não vejo expectativa de corte da Selic neste ano. Não há como fazer renúncia fiscal e injetar dinheiro na economia sem impactar a inflação. O cenário é de descontrole fiscal, e isso pressiona os juros”, afirmou.

Estímulos e renúncias fiscais aumentam risco

Na análise de Velloni, medidas como o crédito consignado privado e a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda aumentam o consumo, mas ignoram o efeito inflacionário desses estímulos, mesmo que seus impactos ocorram gradualmente. Para ele, a promessa de que essas iniciativas não terão caráter inflacionário não se sustenta diante da ausência de ancoragem fiscal confiável.

O mérito do reajuste da tabela do IR é justo. Mas novamente isso acontece em ano eleitoral. E o arcabouço fiscal nunca saiu do papel, nunca foi crível. Então, não há controle sobre o fiscal”, criticou.

Custo da desorganização fiscal está embutido nos juros

Velloni aponta que boa parte da atual taxa de juros — que já se aproxima de dois dígitos novamente — é composta pelo chamado “ticket de risco fiscal”. Ou seja, o prêmio pago pelos investidores diante da incerteza sobre a capacidade do governo de cumprir suas metas fiscais.

Hoje o Brasil paga juros altos porque não há credibilidade no controle fiscal. Quanto mais se incentiva o descontrole, maior a pressão sobre a Selic. A política econômica está andando na direção contrária da responsabilidade”, disse o economista.

Corte da Selic depende de credibilidade — e ela está em baixa

Diante do cenário atual, Fabrizio Velloni considera improvável qualquer corte da Selic em 2025. Ele afirma que a combinação entre aumento de gastos, renúncia de receitas e ausência de reformas estruturais afasta a possibilidade de flexibilização monetária.

“Você não consegue cortar juros com risco fiscal fora de controle. Essa expectativa de queda da Selic ainda este ano não é crível”, concluiu.

Expectativa do mercado seguirá volátil

Com a falta de clareza sobre o rumo fiscal e sinais contraditórios da política econômica, o economista acredita que o mercado seguirá operando com alta volatilidade, e as taxas de juros futuras deverão precificar prêmios de risco ainda mais elevados, à medida que o calendário eleitoral se aproxima.

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