Brasil pode se beneficiar de tarifas dos EUA com Trump no poder? Entenda

Opinião: "Trump e o “Big Stick” em versão econômica"

A reeleição de Donald Trump em 2024 e a volta de sua agenda comercial protecionista reacenderam os debates sobre os impactos da política externa dos Estados Unidos na economia global. O professor de finanças da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Josilmar Cordenonssi Cia, analisa as implicações da nova abordagem americana e aponta oportunidades estratégicas para o Brasil diante de um cenário de instabilidade.

Trump, que desde 1987 critica a forma como os EUA conduzem suas relações comerciais e de defesa, agora governa sem oposição relevante, com o Congresso sob controle dos republicanos e um secretariado pautado pela lealdade. Segundo Cordenonssi, a influência de figuras como Elon Musk, que atua como um “secretário informal” no governo, tem sido decisiva para o corte de gastos e a remoção de servidores públicos desalinhados ideologicamente, gerando insegurança no funcionalismo e imprevisibilidade regulatória.

A volta do protecionismo com Trump e seus riscos

A aplicação de tarifas comerciais — uma marca do primeiro mandato de Trump — retorna com força. O professor lembra que, embora o argumento de que o comércio internacional não é livre seja parcialmente verdadeiro, tarifas não resolvem déficits comerciais. “Para os EUA se tornarem superavitários, seria necessário aumentar a poupança interna ou reduzir os investimentos, o que poderia levar a uma desaceleração ou até recessão”, alerta Cordenonssi.

O economista também critica quem ignora as vantagens comparativas, conceito clássico da economia defendido por David Ricardo, ao tentar forçar a reindustrialização americana. “O que está sendo proposto é tirar um programador do Vale do Silício e mandá-lo extrair carvão. É um contrassenso”, afirma.

Apesar da produtividade da indústria americana ser elevada, os setores mais intensivos em tecnologia são ainda mais produtivos. Transferir investimentos desses setores para outros menos eficientes resultaria, segundo Cordenonssi, em perda de competitividade e produtividade global.

Tarifas de Trump e geopolítica: erros e oportunidades

Historicamente, os EUA utilizaram seu poder de mercado e a força do dólar como ferramentas geopolíticas, oferecendo acesso ao seu mercado para fortalecer aliados estratégicos após a Segunda Guerra Mundial. Porém, ao impor tarifas até mesmo a países como Canadá e México, com quem mantém acordos como o USMCA, Trump estaria minando a confiança internacional e incentivando novos blocos comerciais alternativos.

Nesse contexto, o professor vê espaço para o Brasil ganhar protagonismo. A estratégia, segundo ele, deve passar pelo estreitamento das relações com a União Europeia, especialmente através da ratificação do acordo Mercosul-UE, atualmente travado por resistências em países como França e Polônia.

Além disso, Canadá e México, diretamente impactados pelas novas tarifas, podem se tornar parceiros mais abertos a negociações com o Brasil. “É hora de o país reforçar o multilateralismo e buscar diversificação comercial”, sugere.

Brasil precisa ajustar sua própria casa

Por fim, Cia ressalta que o Brasil também tem desafios internos a enfrentar para aproveitar as oportunidades externas. Abertura comercial é essencial para o aumento de produtividade, mas ela precisa vir acompanhada de responsabilidade fiscal e aumento da poupança doméstica.

O nosso calcanhar de Aquiles é o desequilíbrio das contas públicas. Sem isso, a taxa de juros continua elevada e a moeda segue sobrevalorizada pelo ‘smart money’, comprometendo a competitividade das exportações brasileiras”, conclui.

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