
O mercado financeiro nunca foi entusiasta do governo Lula, mas a novidade agora é o aumento da rejeição ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que até então mantinha algum grau de credibilidade entre agentes do setor. Segundo Miguel Daoud, analista de economia e política, essa crescente insatisfação reflete a percepção de risco fiscal e a condução econômica do governo, além das dificuldades políticas que se intensificam conforme se aproxima o período pré-eleitoral.
Em entrevista ao BM&C NEWS, Daoud destacou que, enquanto o mercado se mantém cético, o governo começa a dar sinais de que entendeu a importância de ajustar o discurso e melhorar o sentimento dos investidores para evitar uma deterioração econômica mais profunda.
Haddad na Fazenda: mercado reage
Historicamente, o mercado já mostrava resistência a Lula, mas a perda de credibilidade de Haddad surge como um novo fator de preocupação. O ministro Haddad vinha sendo visto como um contraponto técnico dentro do governo, mas a percepção de que suas propostas não avançam na resolução do problema fiscal tem aumentado as críticas.
A fragilidade do governo também tem incentivado governadores da oposição a intensificarem as críticas, aproveitando o momento para se posicionarem como alternativas viáveis para 2026.
Para Daoud, o governo começa a perceber que apenas mudar o discurso não é suficiente para alterar a expectativa do mercado. Medidas concretas são necessárias para melhorar o cenário e conter a desconfiança.
Orçamento e política econômica como termômetro do governo
Um dos pontos levantados pelo analista é a estratégia do governo em relação ao orçamento, que ainda não foi aprovado. Com isso, Lula segue gastando dentro da regra do duodécimo (1/18 avos do orçamento por mês), o que gera superávits momentâneos nas contas públicas.
Essa postergação da aprovação orçamentária, segundo Daoud, é conveniente para o governo, pois permite que ele apresente dados fiscais positivos no curto prazo, ainda que sem mudanças estruturais na política econômica.
O analista destaca que o governo começa a agir de maneira subliminar, realizando ajustes discretos para melhorar o sentimento do mercado. A valorização da Bolsa e a queda do dólar são reflexos desse movimento, mas ainda sem garantias de que isso se sustentará no longo prazo.
O governo pode reverter a rejeição?
Daoud ressalta que Lula parece ter entendido que o mercado financeiro é um fator relevante para a economia e, consequentemente, para a popularidade do governo. O presidente pode tentar ajustar sua postura para conter a perda de credibilidade, especialmente se quiser evitar um ambiente econômico ainda mais instável antes das eleições de 2026.
“O governo já começa a perceber que não adianta apenas mudar o discurso e jogar os pobres contra os ricos. Ele precisa melhorar o sentimento do mercado para fazer a economia reagir”, explica Daoud.
Se o governo conseguirá ou não reverter essa tendência de rejeição, ainda é incerto. Mas o fato é que a relação entre mercado e governo continuará sendo um termômetro fundamental para os próximos meses.
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O post Rejeição do governo Lula: “estão entendendo que o mercado é importante” avalia analista apareceu primeiro em BM&C NEWS.