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O mercado de trabalho brasileiro começou 2025 com um saldo positivo de 137,3 mil empregos com carteira assinada, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados nesta quarta-feira (26) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O resultado é fruto de 2,27 milhões de admissões e 2,13 milhões de desligamentos ao longo do mês.
Apesar do crescimento no número de contratações, o saldo registrado representa uma queda de 20,7% em relação a janeiro de 2024, quando foram criados 173,2 mil empregos formais. A desaceleração já era esperada pelo mercado, refletindo o cenário macroeconômico mais desafiador e os ajustes após um período de alta na geração de empregos.
A recuperação do mercado de trabalho foi impulsionada principalmente pelo setor industrial, que registrou a criação de 70.428 vagas, seguido pelos setores de serviços (+45.165 vagas), construção civil (+38.783 vagas) e agropecuária (+35.754 vagas). Por outro lado, o setor de comércio fechou 52.417 postos de trabalho, sendo o único segmento com saldo negativo no período.
A criação de empregos formais foi impulsionada pelos seguintes setores:
- Indústria geral: +70.428 vagas
- Serviços: +45.165 vagas
- Construção civil: +38.783 vagas
- Agropecuária: +35.754 vagas
- Comércio: -52.417 vagas (único setor com saldo negativo)
Entre as unidades da federação, 17 dos 27 estados registraram saldo positivo em janeiro, com destaque para São Paulo (+36 mil), Rio Grande do Sul (+26 mil) e Santa Catarina (+23 mil).
Economista analisa mercado de trabalho
Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, os números ficaram abaixo das projeções da consultoria, que esperava um saldo de 167.753 empregos para janeiro. Segundo ele, alguns setores apresentaram surpresas positivas, como a agropecuária, que criou quase 35 mil vagas, enquanto a expectativa era de apenas 18,8 mil. No entanto, o comércio teve um desempenho pior do que o esperado, com 52,4 mil demissões, um número muito acima da projeção de 28,7 mil.
O economista também chama atenção para o desempenho do setor da construção civil, que tradicionalmente tem um saldo positivo expressivo em janeiro, mas ficou abaixo da média histórica. “O setor costuma criar cerca de 50 mil vagas neste mês, mas neste ano gerou 38 mil. O impacto dos juros altos já está sendo sentido, reduzindo o ritmo de contratações e afetando outras áreas da economia“, analisa.
Agostini acredita que o mercado de trabalho ainda deve seguir positivo nos próximos meses, mas com um crescimento mais lento. A projeção da Austin Rating é de 1,5 milhão de empregos formais gerados em 2025, mas com viés de baixa. Ele alerta, no entanto, que fatores externos, como os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump, podem influenciar negativamente o desempenho da economia brasileira nos próximos meses.
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O post Caged de janeiro: bons números ou alerta vermelho para o mercado de trabalho? apareceu primeiro em BM&C NEWS.