
A nova ameaça do presidente Donald Trump de impor uma tarifa de 50% sobre produtos da União Europeia reacendeu alertas em todo o mercado global — mas, para quem acompanha os ciclos políticos do republicano, esse movimento não é exatamente novo.
Mais do que uma política concreta, a ameaça tem as marcas de uma tática de barganha típica de Trump, caracterizada por provocações públicas seguidas de recuos parciais. O mercado já até nomeou esse padrão: “TACO Trade” (Trump Always Chickens Out). Ou seja, ele costuma recuar após criar tensão, apresentando um “acordo” que raramente tem impactos estruturais no comércio global.
Mas isso não significa que o episódio seja irrelevante. Pelo contrário: o simples fato de recolocar incerteza no radar já causa prejuízos de curto prazo. Como lembra Fábio Fares, especialista em análise, “mesmo que a tarifa não se concretize, o ruído político afeta precificação, confiança empresarial e decisões de investimento“.
Tarifa extrema de Trump é improvável, mas o dano do ruído já existe
Uma tarifa de 50% contra a UE seria uma medida com efeito destrutivo imediato, considerada improvável até pelos próprios agentes de mercado. Mas, como aponta Fares, o maior risco está no ambiente que se constrói em torno da ameaça:
“O problema não é apenas a tarifa em si, mas o tipo de instabilidade institucional e comercial que se normaliza. Essa volatilidade política é precificada nas curvas e contamina o cenário macro.”
Ao promover incertezas regulatórias e decisões unilaterais, Trump enfraquece a previsibilidade que investidores globais esperam de uma economia como a dos EUA — o centro financeiro do mundo.
Pós ameaça de Trump: corrida por Treasuries e alívio pontual nos juros
O movimento de aversão ao risco após as postagens de Trump provocou uma nova corrida para os Treasuries, em busca de proteção, o que reduziu momentaneamente a pressão sobre os juros de longo prazo. Porém, Fares faz um alerta:
“Esse alívio é apenas técnico. A complacência do mercado diante de ruídos cada vez mais frequentes cobra um preço. Estamos em um momento de precificação cara, com o S&P 500 acima de 22 vezes lucro. Basta um gatilho para inverter o jogo.”
Ainda que a ameaça de tarifa não avance, o custo de operar em um ambiente de imprevisibilidade constante é elevado. Investidores institucionais e grandes empresas precisam de estabilidade para planejamento de longo prazo, algo que fica comprometido quando decisões econômicas são substituídas por impulsos de campanha.
Para Fares, o investidor que sobreviver nesse cenário é aquele que se posiciona com base em fundamentos sólidos, prudência e gestão de risco — e não em reações de redes sociais.
“É preciso ter racionalidade. Quem embarcar no ciclo de hype e susto pode pagar caro. A boa análise macro resiste ao ruído”, conclui.
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O post Trump ameaça UE com tarifas de 50%: “mais ruído que realidade” avalia analista apareceu primeiro em BM&C NEWS.