
O mercado financeiro ajustou suas projeções econômicas no Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (17). O relatório do Banco Central apontou uma nova alta na previsão da inflação para 2025 e 2026, reforçando a perspectiva de que os preços continuarão pressionados nos próximos anos.
Além disso, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB, registrou leve crescimento, indicando que a economia segue avançando, mas de forma moderada.
Inflação sobe e mercado questiona política monetária, aponta Focus
O IPCA projetado para 2025 subiu para 5,60%, marcando a 18ª semana consecutiva de alta. Já para 2026, a estimativa passou de 4,30% para 4,35%. O número segue acima do teto da meta de inflação, o que pode levar o Banco Central a manter os juros elevados por mais tempo.
Para o especialista em investimentos Jeff Patzlaff, que comentou o Boletim Focus no programa Flash News, o aumento das projeções não é irrelevante.
“Esse aumento, mesmo que ele seja bem pequeno, representa a média da projeção dos principais economistas do Brasil. Isso impacta diretamente toda a população brasileira”, afirmou Patzlaff.
Ele ressalta que mesmo pequenas variações podem afetar o bolso dos consumidores:
“Tudo já está caro, tudo já está difícil para a população do Brasil de uma forma geral. Qualquer 10% a mais é uma diferença grande”.
Juros devem permanecer altos para conter inflação
Diante da pressão inflacionária, o mercado manteve a projeção da taxa Selic em 15% para este ano, sugerindo que o Banco Central terá pouco espaço para cortes na taxa de juros no curto prazo.
A avaliação de Jeff Patzlaff é que a postura do Banco Central pode estar mais otimista, mas ainda há incertezas sobre até quando os juros precisarão ser mantidos em patamares elevados.
“O Banco Central, de uma forma geral, está um pouco mais otimista. Mas temos certeza de que a taxa de juros vai precisar subir para que essa inflação continue controlada, porque a inflação está muito acima daquilo que deveria estar”, explicou.
IBC-Br aponta crescimento, mas ritmo segue moderado
O IBC-Br de dezembro registrou crescimento de 0,1%, indicando que a economia brasileira segue em expansão, ainda que de maneira contida. No acumulado de 12 meses, o indicador avançou 3,6%, puxado pelo setor de serviços.
Apesar do avanço, o especialista alerta que o cenário ainda exige cautela.
“Tá ruim, mas podia estar pior ainda. Esse Boletim Focus mostra que as taxas continuam altas, mas poderiam estar ainda mais altas”, destacou Patzlaff.
O setor industrial e o varejo seguem demonstrando desaceleração, o que pode impactar a atividade econômica nos próximos meses.
O que esperar para os próximos meses com o Focus?
Com as expectativas de inflação em alta e crescimento econômico moderado, o mercado segue atento às decisões do Banco Central sobre a política monetária. A dúvida principal é até quando a Selic precisará ser mantida em níveis elevados para evitar uma deterioração ainda maior do poder de compra da população.
Enquanto isso, os dados reforçam que o Brasil deve enfrentar um cenário de inflação persistente, crescimento modesto e juros altos por mais tempo.
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