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Com nova decisão, Carlos Roberto da Cunha terá de cumprir nove anos e quatro meses de reclusão em regime inicial fechado. Caso foi descoberto em maio de 2024, em Patrocínio Paulista, SP. Pastor Carlos Roberto da Cunha está preso por suspeita de cárcere privado de oito idosos em clínica em Patrocínio Paulista, SP
Arquivo pessoal
A Justiça aumentou, para nove anos e quatro meses de reclusão em regime inicial fechado, a pena do pastor evangélico Carlos Roberto da Cunha, dono de uma clínica onde idosos viviam em condições precárias de higiene em Patrocínio Paulista (SP).
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A ampliação é fruto de um recurso do Ministério Público (MP) e representa mais do que o dobro da pena anterior, que era de quatro anos e quatro meses, e foi proferida em agosto de 2024.
Em um acórdão nesta quarta-feira (26), os desembargadores embasaram o aumento da pena com o fato de que o réu, condenado por sequestro e cárcere privado, adotou “condutas de privação de liberdade dos ofendidos em momentos diversos” e cometeu “condutas criminosas distintas como se fossem uma só”.
Além disso, a decisão leva em consideração o número de vítimas, ao menos oito, e as condições de vulnerabilidade social, econômica e psíquica delas.
“Bem como a recidiva do acusado em manter clínica clandestina com práticas desumanas e gravidade das circunstâncias do crime, visto se tratar de privação da liberdade de indivíduos, mantidos em condições degradantes e indignas, com saúde debilitada e condições sanitárias extremamente precárias”, diz o acórdão.
O g1 tenta localizar a defesa do pastor nesta quinta-feira (27).
Dono de clínica é condenado por manter idosos em cárcere privado em Patrocínio Paulista
Denúncia
Cunha está preso desde o dia 30 de abril de 2024, quando a Polícia Civil e o MP chegaram ao lar de idosos, que funcionava em um galpão na zona rural de Patrocínio Paulista, após uma denúncia anônima.
O espaço foi encontrado sujo e as camas onde dormiam as vítimas ficavam no refeitório. O único banheiro não tinha porta e uma toalha de banho era utilizada para separar o ambiente.
O caso foi descoberto pela Polícia Militar e pelo Ministério Público em maio deste ano. Ao menos oito pacientes, entre 60 e 86 anos, eram mantidos no local e os familiares chegaram a pagar até R$ 800 por idoso internado.
Toalha de banho dividia banheiro de refeitório em clínica de idosos em Patrocínio Paulista, SP
Divulgação
Idosos eram mantidos em cárcere privado
A clínica de idosos funcionava na zona rural de Patrocínio Paulista e foi fechada durante uma operação desencadeada pela PM e pelo MP.
A suspeita é de que ao menos oito pacientes, entre 60 e 86 anos, eram mantidos em cárcere privado no local. Segundo o MP, os idosos que eram mantidos ali, tinham altos níveis de dependência e viviam em um galpão sem quaisquer condições de higiene.
Durante uma vistoria, a Vigilância Sanitária encontrou comidas vencidas e constatou falta de autorização para funcionamento. As vítimas foram resgatadas e encaminhadas para a Santa Casa da cidade.
Antes deste caso, o pastor já era investigado por manter uma clínica de reabilitação para usuários de droga em Cristais Paulista (SP), onde supervisionava pacientes, segundo o Ministério Público.
Clínica fechada em Patrocínio Paulista, SP, mantinha camas no mesmo cômodo onde funcionava refeitório
Divulgação
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