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Cientistas criam proteína comestível a partir do ar e eletricidade


Empresa diz que proteína pode substituir ovo ou leite. Micróbio é alimentado com dióxido de carbono, hidrogênio e minerais em um processo que utiliza eletricidade de fontes renováveis. Vidro com a proteína Solein na sede da companhia Solar Foods, em Vantaa, na Finlândia.
Alessandro Rampazzo/ AFP
Em uma fábrica na Finlândia, cientistas fabricaram uma proteína comestível alimentando um micróbio com ar e eletricidade.
A agricultura celular, que envolve a produção de alimentos ou nutrientes a partir de culturas de células, é cada vez mais vista como uma alternativa ecologicamente correta à criação de gado, uma das principais fontes de emissão de gases de efeito estufa.
A carne, os ovos ou o leite produzido em laboratório despertaram o interesse dos cientistas, que agora estão se voltando para o cultivo de células animais. Mas os críticos consideram o processo “não natural”, que consome muita energia e é caro.
Em sua fábrica recém-inaugurada perto de Helsinque, os cientistas do grupo Solar Foods estão implantando uma nova tecnologia para cultivar proteínas a partir de células usando ar e eletricidade. Um micróbio é alimentado com dióxido de carbono, hidrogênio e minerais em um processo que utiliza eletricidade de fontes renováveis.
A Solar Foods conseguiu criar um pó rico em proteínas que pode ser usado como substituto do ovo ou do leite.
“Podemos extrair nossa principal matéria-prima para o micróbio do ar”, disse o CEO Pasi Vainikka à AFP durante uma visita às novas instalações da empresa.
“Estamos lançando a produção da proteína mais sustentável do mundo”, disse ele.
Fundada por Vainikka e Juha Pekka Pitkanen em 2017, a Solar Foods abriu sua “primeira fábrica do mundo que produz alimentos a partir do ar” em abril.
“Grande parte da proteína animal atual pode ser produzida pela agricultura celular e podemos liberar terras agrícolas e, assim, reabastecer um reservatório de carbono”, especifica Vainikka, referindo-se ao processo pelo qual as florestas e os solos absorvem e armazenam carbono.
Um quilo dessa nova proteína, chamada “Solein”, emite 130 vezes menos gases de efeito estufa do que a mesma quantidade de proteína da carne bovina na União Europeia, de acordo com um estudo realizado por especialistas em alimentos sustentáveis da Universidade de Helsinque, citado pela Solar Foods.
No laboratório e no centro de controle da fábrica, cerca de dez pessoas monitoram a produção em suas telas.
“Eles são nossos futuros agricultores”, diz o gerente.
Alimento preparado com proteína Solein da empresa Solar Foods
Alessandro Rampazzo/AFP
Um campo em processo de expansão
A transformação da produção e do consumo de alimentos está no centro da luta contra o aquecimento global e a perda de biodiversidade, diz Emilia Nordlund, chefe de pesquisa de alimentos da organização pública finlandesa VTT.
Espera-se que o consumo de carne continue a aumentar nos próximos anos.
“A produção industrial de alimentos, especialmente a produção de gado, é uma das principais causas das emissões de gases de efeito estufa e da perda de biodiversidade”, acrescenta.
As novas tecnologias de produção de alimentos podem ajudar a reduzir as emissões da agricultura intensiva e “diversificar a produção de alimentos”, insiste.
As tecnologias de fermentação usadas para produzir nutrientes existem há décadas, mas seu desenvolvimento se acelerou com o surgimento de novos projetos de pesquisa em todo o mundo.
“O campo está em uma fase de expansão, com as primeiras plantas de demonstração construídas, como a planta da Solar Foods na Finlândia”, explica ela. “Estamos em uma fase crucial. Veremos quais novas empresas sobreviverão”.
Alimento preparado com a proteína Solein
Alessandro Rampazzo/AFP
Vainikka, vestida com um traje de proteção para evitar a contaminação bacteriana na fábrica, mostra um tanque de aço gigante.
“É um fermentador com capacidade de 20.000 litros”, diz, e o micróbio se multiplica dentro do tanque quando alimentado com gases de efeito estufa.
O líquido que contém os micróbios é extraído do recipiente e transformado em um pó amarelado, rico em proteínas, com sabor de “avelã e cremoso”, diz ele.
“O fermentador produz diariamente a mesma quantidade de proteína que 300 vacas leiteiras ou 50 mil galinhas poedeiras”, diz Vainikka, o equivalente a cinco milhões de refeições por ano em termos de ingestão de proteína.
No curto prazo, o principal objetivo da pequena fábrica finlandesa, que emprega cerca de 40 pessoas, é “demonstrar que a tecnologia é viável” para atrair o investimento necessário, enquanto se aguarda a aprovação regulatória europeia.
A proteína foi autorizada para venda em Singapura, onde alguns restaurantes a incorporam ao sorvete, mas ainda não foi classificada como alimento na UE ou nos EUA.
Para causar um impacto real, o objetivo é “construir uma fábrica 100 vezes maior do que esta”, resume.
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