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Geralmente, pessoas que se importam muito com dinheiro acham que a sua régua vale para todos. Pode ser esse o caso do presidente Donald Trump e do bilionário Elon Musk, que voltaram novamente suas baterias contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Desta vez, eles estão coordenando a aprovação de uma lei que possa confiscar bens e congelar ativos financeiros daqueles estrangeiros que atuarem contra liberdades individuais, agindo como censores.
O projeto, que ainda precisa ser aprovado pelo Congresso americano, tem em seu bojo um elemento que tem tudo para gerar confusões diplomáticas. O governo americano não só pode bloquear contas em seu território como também pode convocar instituições financeiras para que façam o mesmo em outros países. Isso quer dizer, por exemplo, que um determinado banco (americano ou não) pode ser intimado a fechar a conta de um suposto censor no Brasil – no caso, o ministro Alexandre de Moraes.
Musk já havia dado uma pista sobre suas intenções em uma mensagem em sua rede social, postada nesta semana. Ele escreveu na plataforma X, de sua propriedade: “De Moraes possui propriedades nos Estados Unidos?”.
Digamos, para fomentar o debate, que o ministro tenha recursos financeiros estacionados nos Estados Unidos – ou mesmo propriedades (por enquanto, essa informação não é de domínio público). Haverá um certo tempo para que esse projeto deixe o papel e seja transformado, de fato, em lei. Ou seja, há tempo suficiente para que contas sejam encerradas ou bens sejam vendidos. Portanto, essa pressão está no plano das narrativas e terá pouco ou nenhum efeito prático.
Mas, ao contrário do que pensam Musk e Trump, Moraes não parece ser o tipo de pessoa que coloca o dinheiro acima de tudo.
O ministro já mostrou que se considera um paladino das redes sociais e nada parece demovê-lo daquilo que julga ser sua principal missão nos dias de hoje. Em sua mente, a liberdade total de expressão é um caminho para o extremismo. Ele deixou isso bem claro nesta semana, quando disse o seguinte em uma palestra a estudante de Direito: “Estamos começando a entender como se deu esse processo de transformar as redes sociais em instrumentos de uma ideologia nefasta, o fascismo, disseminando discursos de ódio, misoginia, homofobia e até ideias nazistas”.
O ministro comete um evidente exagero ao fazer tal análise. Mas o seu modo se enxergar essa questão nos mostra que ele não será intimidado facilmente por sanções econômico-financeiras.
Moraes é visto por pessoas próximas como alguém que, pressionado, costuma dobrar suas apostas. No primeiro round da briga com Elon Musk, o ministro voltae meia aumentava seus cacifes – e, nesta nova etapa, deverá agir da mesma forma.
Digamos que a lei seja aprovada e bancos brasileiros sejam impelidos pelo governo americano a não fazer mais negócios com Alexandre de Moraes. O ministro, na condição de servidor público, recebe seus vencimentos pelo Banco do Brasil, que dificilmente será obrigado a seguir as orientações dos Estados Unidos.
Em conclusão: Trump e Musk estão fazendo muito barulho, mas todo esse esforço deve ser absolutamente em vão.
*Coluna escrita por Aluizio Falcão Filho, jornalista, articulista e publisher do portal Money Report, Aluizio Falcão Filho foi diretor de redação da revista Época e diretor editorial da Editora Globo, com passagens por veículos como Veja, Gazeta Mercantil, Forbes e a vice-presidência no Brasil da agência de publicidade Grey Worldwide
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