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Thiago Marques Gonçalves chegou a ser levado para o Presídio de Benfica depois que a mulher do policial reformado que atirou contra ele e Igor os acusou de roubar seu celular. Thiago, o mototaxista que levava o estudante baleado
Henrique Coelho/g1
O motociclista Thiago Marques Gonçalves, preso após ser alvo de tiros por um PM reformado enquanto levava o estudante Igor Melo de Carvalho, que acabou baleado, foi liberado após uma passar pela 22ªDP na tarde desta terça-feira (25).
Igor acabou sendo atingido pelos disparos e está internado no Hospital Getúlio Vargas. Ele ficou sob custódia, mas na tarde desta terça uma juíza mandou soltar tanto Igor, quanto Thiago. “Eu estou me sentindo mal, mas a Justiça vai ser feita por mim, pela minha família e pela família do Igor”, disse ele.
Thiago chegou a ser levado para o Presídio de Benfica depois que a mulher do policial reformado que atirou contra ele e Igor os acusou de roubar seu celular.
“Ela (Josilene) me tirou para nada. Me tirou para um bandido”, acrescentou Thiago, que negou ter pedido desculpas para Josilene na delegacia. “Eu implorei para que ela olhasse para o meu rosto e visse que não fui eu que fiz.”
Thiago, que faz viagens por aplicativo, ainda disse que vai tentar viver sua vida normalmente a partir de agora, mas pede Justiça:
“Sou trabalhador e vou continuar sendo. Hoje eu tô saindo ‘escutado’, e os demais que não?”, questionou.
Clemilson da Silva Gonçalvesd, pai de Thiago, esabafou assim que o filho prestou depoimento na 22ª DP (Penha), no início da tarde.
“Ele vai pagar também pelo que fez. Meu filho estava trabalhando para levar o leite das crianças. Ele tem duas crianças pequenininhas dentro de casa. Inocente, nunca se envolveu pros drogas, tem a ficha limpa, nunca deu trabalho para mim e para a mãe dele. Saiu para trabalhar e quase não voltou por causa de um cara desse aí. Desequilibrado, não merece carregar o diploma de polícia”, afirmou o pai de Thiago.
Pai de motociclista acusado de assalto diz que filho quase não voltou por causa de PM
Baleado após sair do trabalho
Igor foi baleado no Viaduto João XXIII, na Penha, Zona Norte do Rio. Sua família e amigos afirmam que ele foi baleado pelas costas, acusado de um assalto que não cometeu.
O autor dos disparos foi o policial militar da reserva Carlos Alberto de Jesus, que teria agido após a esposa ter reconhecido o condutor da moto como um dos responsáveis pelo roubo do seu celular. Em um primeiro depoimento, ele disse que atirou após ver Igor armado. Depois, afirmou que ele “fez menção” de pegar uma arma.
Os parentes dizem que Igor Melo de Carvalho, de 32 anos, solicitou uma moto por aplicativo para voltar da casa de samba Batuq, onde é garçom aos finais de semana para casa. O trajeto era da Rua Belizário Pena, na Penha, onde a casa de samba fica, até o bairro do Turiaçu, residência de Igor.
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No caminho ele teria percebido que um veículo seguia a motocicleta. Minutos depois ouviu disparos e caiu da moto. Percebendo estar ferido, Igor conseguiu ligar para colegas de trabalho, que foram até o local e o socorreram ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha.
Igor fchegou a ficar sob custódia da polícia no hospital. Em imagens enviadas pelo familiares, é possível ver o momento em que Igor, por volta das 1h30, embarca na moto por aplicativo ao sair do bar.