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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial, registrou uma alta de 1,23% em fevereiro, resultado que, apesar de elevado, surpreendeu o mercado financeiro por ter vindo abaixo das expectativas. Segundo Andrea Angelo, economista da Warren Investimentos, o dado trouxe “surpresas benignas” em algumas categorias, especialmente no setor de serviços.
“Embora o número tenha sido alto, a surpresa veio do fato de alguns serviços, como mensalidades escolares e consultas médicas, terem apresentado reajustes menores do que o esperado. Esses aumentos iniciais costumam ditar o patamar dos preços durante o ano, e a leitura atual é marginalmente melhor do que o previsto”, explicou Angelo em entrevista ao programa BM&C News.
Câmbio e impacto no consumo
Outro destaque apontado por Angelo foi o comportamento dos bens industriais ligados ao câmbio. Apesar da desvalorização de mais de 20% do real em 2024, a expectativa de aumento nos preços de produtos como eletrônicos, automóveis e mobiliário não se concretizou neste começo de ano. “Essa foi a segunda leitura consecutiva em que o impacto da alta do dólar foi menor do que o esperado, o que sugere que o repasse do câmbio para os preços pode ter ficado para trás em 2024”, afirmou.
Com essa dinâmica, a expectativa é de que o impacto cambial na inflação seja mais suave em 2025, o que pode ajudar a conter novas altas nos preços de bens de consumo. A economista ressalta que essa tendência pode levar a revisões para baixo nas projeções inflacionárias ao longo do ano.
Inflação ainda alta, mas com sinais de alívio
Apesar das boas notícias pontuais, Angelo alerta que a inflação acumulada no setor de serviços ainda preocupa. “Os preços de serviços continuam pressionando, com projeções entre 7% e 8% no acumulado anual. Isso ainda exige cautela, especialmente considerando os efeitos de reajustes sazonais que não costumam recuar ao longo do ano“, concluiu.
Mesmo com as surpresas positivas, a alta de 1,23% no IPCA-15 continua refletindo uma inflação persistente e exige atenção das autoridades monetárias, especialmente em relação às futuras decisões de política de juros por parte do Banco Central.
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