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O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, fez críticas à atual condução econômica do governo Lula, afirmando que a gestão está “tropeçando nas próprias pernas” ao negligenciar a importância do equilíbrio fiscal e da responsabilidade nos gastos públicos. Durante uma entrevista ao programa da BM&C News, Agostini destacou que as recentes falas do presidente, minimizando os fundamentos da macroeconomia em favor da microeconomia, são um reflexo do desespero diante da queda na popularidade do governo.
“É mais fácil culpar o mercado financeiro do que reconhecer os próprios erros e buscar soluções reais”, afirmou Agostini. Para ele, o governo ignora os sinais de alerta do mercado, o que pode comprometer a confiança dos investidores e prejudicar as perspectivas de crescimento econômico no médio e longo prazo.
Sinais de alerta no cenário econômico
Agostini apontou que, embora o Brasil ainda apresente crescimento econômico, há uma preocupação crescente em relação ao futuro das contas públicas. A falta de previsibilidade e os sinais trocados enviados pelo governo aumentam a desconfiança dos investidores, especialmente em relação ao controle da inflação e à sustentabilidade da dívida pública.
“O mercado financeiro representa os investidores que financiam a dívida pública. Eles assumem riscos e, em troca, buscam previsibilidade e um ambiente econômico favorável”, explicou Agostini. Segundo ele, as políticas sociais do governo, como o Pé-de-Meia e o aumento do Bolsa Família, são importantes, mas não podem ser feitas sem uma contrapartida fiscal clara.
Crise semelhante ao governo Dilma?
Embora o cenário atual ainda não indique uma crise semelhante à enfrentada em 2015, durante o governo de Dilma Rousseff, Agostini alertou que as preocupações podem se agravar a partir de 2025. Ele ressaltou que, por enquanto, o Brasil não deve perder o grau de investimento, mas a relação entre dívida e PIB pode se deteriorar se a gestão fiscal não for ajustada.
“O problema não é agora, mas sim o futuro. A dinâmica fiscal precisa ser acompanhada de perto, ou poderemos ver um agravamento do endividamento e uma perda de confiança no mercado internacional”, concluiu o economista.
Com as incertezas no cenário fiscal e a pressão inflacionária em alta, especialistas como Agostini alertam que o governo precisa ajustar sua rota para evitar um cenário mais grave, que pode prejudicar a economia e a estabilidade financeira do país.
Veja a entrevista na íntegra:
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